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"É necessário abrir os olhos e perceber que as coisas boas estão dentro de nós, onde os sentimentos não precisam de motivos nem de desejos de razão. O importante é aproveitar e aprender sua duração, pois a vida está nos olhos de quem sabe ver." (Gabriel Garcia Marquez)

sexta-feira, 3 de junho de 2011

A VIDA

 
 
A vida vai passando por mim de uma forma inexplicável. Bate forte, como o mar revolto nas rochas de uma qualquer praia do lado poente. A cada nova onda, um novo estrondo. A cada nova investida, a tentação de proteger um corpo cansado. A cada novo derramar de fúria, o cansaço de quem já quase não aguenta. Sinto-me um notável pelas experiências vividas e às vezes até parece que não sei o que hei-de fazer daqui para a frente, mas, vou aguentando neste imenso mar de dúvidas, entrelaçando os acontecimentos esgotados, com o futuro sombreado dos que possam vir a acontecer.

Escrevo sobre as coisas que me invadem os pensamentos, percorrendo cada canto do meu cérebro e por vezes nem encontro sentido para aquilo que digo. Às vezes a vida parece-me vazia opaca, onde não encontro razão sequer para a viver, onde tudo o que nos acontece é ruim. Às vezes até penso, que não devo ter nem uma pinga de uma coisa a que chamam juízo. A vida tem tanta coisa boa a que por vezes nem damos valor, tem tantas alegrias que nos vão acontecendo, no entanto só guardamos aquelas que nem devíamos recordar, aquelas que magoam, que doem, que nos fazem sofrer.

A vida, vai acontecendo a cada segundo, juntando-se em minutos, transformando-se em horas, renascendo a cada novo dia, utilizando todos os artefactos para nos ir testando, procurando que não fechemos os olhos, senão quando a noite chegar e o descanso das células tiver que acontecer. E ao longo dessa mesma vida, vamos sarando algumas feridas, lutando para que cicatrizem, enquanto outras se vão abrindo e como não conseguimos ficar imunes, vamos curando de novo as que já cá estão e as outras que teimam em ir aparecendo.

A vida passa depressa e de nada vale querer atrasar o girar do mundo, para atrasar a própria vida, porque mesmo que isso fosse possível, e conseguíssemos atrasar tudo para metade, mais não conseguiríamos do que aumentar o nosso tempo para o dobro e não me parece que isso fosse suficiente.

A vida, só tem é que ser vivida, de uma forma simples, sem ambições desmedidas, sem procuras anestesiadas do tempo que julgamos não ter e procurando que cada momento saia dignificado e sós sintamos que tenha valido a pena. A vida é este constante penar para uns, é a tristeza de cada momento que faz parte dela, mas também é a alegria de cada ano que passa que nos vai invadindo as entranhas, fazendo-nos abrir os lábios num sorriso, a cada novidade boa que nos chega, a cada novo dia que começa, a cada brilho no olhar de quem amamos.

Autor do texto: António Catela

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